Para Luciana, hoje, há forte disputa político-ideológica e de narrativa sobre os destinos do País. Fotos: Diego Galba/VG

Passada a eleição para o comando da Câmara, a vice-governadora de Pernambuco e presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos, defendeu superar as divergências circunstanciais da esquerda e reforçar a unidade desse campo contra a plataforma de Jair Bolsonaro (PSL). “O que vai possibilitar a unidade da esquerda é o foco na agenda de resistência, de contestação à retirada de direitos e às privatizações. No Parlamento, nas ruas e nas redes sociais. Estamos com esse espírito”, disse, no programa Roda Viva Pernambuco, transmitido ao vivo pela TV Nova na noite da terça (12/02).

Luciana destacou que, embora os partidos de esquerda não tenham marchado juntos na eleição para a Presidência da Câmara, devem atuar de forma coesa no combate à pauta regressiva do governo. “Sempre dissemos que a eleição da mesa é apenas um episódio, que não pode nos levar para uma agenda permanente de falta de unidade na ação política. Vamos nos pautar por restabelecer essa unidade, vamos virar essa página, e fazer valer o que nos uniu nas urnas e vai nos unir sempre, que é o conceito que a gente tem do papel do Estado”, afirmou.

Questionada sobre o apoio de seu partido à candidatura de Rodrigo Maia à Presidência da Câmara, a vice-governadora fez questão de esclarecer que, na eleição interna, nunca esteve em jogo um apoio programático, mas sim o funcionamento democrático do Legislativo. Nesse sentido, ao invés de escolher marcar posição, se aliando a um candidato à esquerda sem chances reais de vitória, o PCdoB optou por apoiar alguém que, na sua avaliação, respeitaria a atuação da oposição e o regimento interno da Casa e garantiria espaços para o debate.

“Todos sabem que não temos afinidade programática ou ideológica com ele [Maia], especialmente do ponto de vista da agenda econômica – ele é um liberal convicto. Mas, na relação institucional, ele sempre cumpriu palavra, é uma pessoa democrática, que respeita a atuação da oposição, da minoria”, colocou.

Ela lembrou que a relação com Maia não é de hoje, vem desde a disputa anterior, na qual o deputado concorreu contra um candidato ligado a Eduardo Cunha. “Fomos para a redução de danos”, resumiu, lembrando que, naquele momento outros partidos de esquerda assumiram a mesma posição. “Hoje vivemos uma situação mais adversa, depois da eleição da extrema-direita. No Parlamento, também somos minoria. O PCdoB achou que não valeria à pena marcar posição apenas. Ali não está em jogo a questão programática. Ali está em jogo a democracia”, justificou.

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