Essas concessões devem vir como reconhecimento público a alguém que julgamos suas ações imprescindíveis ao bem-estar da comunidade local, porém não é o que vemos.

Por Lissandro Nascimento

Comendas, títulos de cidadão, votos de aplauso e de pesar são recorrentes na vida do Poder Legislativo de qualquer lugar, porém esses decretos vêm se tornando prática comum e denota de pouca relevância para a Câmara de Vereadores da Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata pernambucana. Esses instrumentos legislativos devem se pautar pela impessoalidade pública, valor moral, meritocracia e reconhecimento público a alguém que julgamos suas ações imprescindíveis ao bem-estar da comunidade local.

Durante a décima terceira sessão ordinária da sexta-feira (24/5), ocorreu o pronunciamento na Tribuna da Casa Diogo de Braga do vereador Marcos da Prestação (PV), o qual fez mais uma vez a defesa da concessão do Título Honorífico de Cidadão Vitoriense ao psiquiatra Lamartine Holanda Júnior, suspeito de participar de sessões de tortura durante o regime militar (1964-1985), título aprovado no último dia 17 de maio. O parlamentar, sem citar nomes, fez duras críticas, em especial, a publicação no A Voz da Vitória da matéria “Câmara de Vitória aprova título de cidadão a suspeito de torturas”.

“Não defendo ditadura e nem tortura. Quero dizer aqueles que denigrem que,  quem tem de prestar esclarecimentos são as pessoas que acusam Dr. Lamartine Júnior sem qualquer prova documental”, desafiou Marcos da Prestação, o qual por sinal é registrado civilmente com o nome de José Antonio da Rocha (Oxente!!! O Marcos veio de onde?).

José Antonio da Rocha e ou “Marcos” foi eleito pela primeira vez em 2016 desvinculado dos dois principais polos da oligarquia política local, porém assim que assumiu o mandato desmereceu o seu partido e não titubeou em trocar sua independência política; foi para os braços do atual prefeito, tradicional representante oligárquico. Indignado, “Marcos” discursou de que não cabe a ele justificar nada, pois os serviços sociais que ele e alguns vereadores prestam ao povo de Vitória já se justificam. O edil esquece-se de dizer que o político, como pessoa pública, tem obrigação sim de se justificar a sociedade de todos os seus atos praticados, até em razão de que são bem pagos para isso.

“Marcos” da Prestação disse na Tribuna que quer saber onde estava a imprensa vitoriense diante das “coisas absurdas ocorridas na legislatura passada”. Sugiro, antes de perguntar a imprensa, que o mesmo peça aos seus colegas reeleitos que digam que coisas absurdas foram essas que cometeram e hoje são seus parceiros. “Marcos” chegou ao ponto de acusar parte da imprensa local de receber propinas! Seria importante o edil ‘dar nome aos bois’ até para honrar os verdadeiros profissionais da comunicação local.

Agitado, insensato e despropositado “Marcos” fez crer no seu discurso que o período do regime militar não foi tão ruim assim: “O meu pai, idoso bem debilitado, sempre nos conta de que o regime militar no Brasil foi os melhores dias para o povo do que se vê hoje”, relatou (sem comentários!).

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